A vida não se resume a pedras soltas e perdidas que achamos por mero acaso ao longo do nosso caminho. É resultados de muralhas firmemente erguidas em tempo de guerra, tristeza e solidão. Quando nos sentimos perdidos, sozinhos, achamos que não há nada a fazer, não há volta a dar; quando achamos que parámos no tempo, não nos apercebemos mas estamos a contribuir a cada dia, cada sorriso mesmo que forçado, cada passo dado com dor, cada sim que esconde as lágrimas do não que quisemos dizer mas que de tanta vergonha que tivemos não fomos capazes, cada pôr-do-sol recheado de nostalgia, cada ardor no peito, cada facada nas costas , cada vez em que dissemos não ser capazes mas provámos a nós e mais, ao mundo, que eramos capazes. Todos estas pequenas circunstâncias que tão aterrorizadoras nos parecem vão ser mais uma grande pedra da nossa muralha. Depois olhamos em nosso redor, encontramos pessoas, muitas vezes pensamos que não passam disso mesmo: pessoas. Mas elas vão ser o nosso cimento. O cimento da nossa muralha. Vão dar-nos força com os seus próprios problemas, vão dar-nos alegria com os seus sorrisos, vão dar-nos coragem com simples olhares...
Aí vamos perceber que não há nada a temer quando temos o mundo à nossa frente. Não há razão para fracassar quando nós mesmos somos capazes de construir a nossa própria muralha, aquela que nos vai defender quando precisarmos; que nos vai erguer quando nos sentirmos no fundo do poço; aquela que nos vai mostrar o caminho certo quando nos sentirmos perdidos; aquela que nos vai mostrar o bom da vida quando acharmos que não há nada que nos impeça de desistir.
E sabem que mais? É tão simples construir esta muralha...
Basta viver quando apenas quisermos sobreviver !
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