domingo, 15 de novembro de 2015

Ervas daninhas

Hoje sinto a tua falta e surge em mim uma súbita vontade de te escrever -ou te falar, não sei bem. Talvez escrever seja mais fácil - não direi mais adulto, embora por momentos me tenha passado isso pela cabeça. Talvez seja mais fácil pelo simples motivo de que sei que jamais irás ver o mar infinito - ou finito nele mesmo, como soar melhor - de palavras que a minha alma deseja despejar numa espécie de caixote do lixo pois já só fazem mal num contentor pequenino que geme de dor por tão apertado que se encontra. Ás vezes é preciso arrancar as ervas daninhas - ou seja, despejar todo o lixo que sufoca - e hoje foi um dia desses. Sinto saudades, sabes? Não da pessoa que te tornaste, porque só um fraco desiste de algo tão forte como tu o fizeste e a verdade é que não quero alguém fraco ao meu lado, sinto antes saudades do homem que eu ajudei a construir - e digo-o com orgulho - e que vi destruir-se e levar consigo, mesmo agarrado a si de um modo estúpido e impensado um monte de sonhos e planos - e digo-o com profunda tristeza. Mas a verdade é que, como ouvi um dia 'é difícil esquecer alguém porque as pessoas mudam, mas as memórias não' e o nosso livro de memórias traz consigo tantas recordações bonitas que por vezes brotam e transformam-se nessas ervas daninhas que incomodam quando se apercebem daquilo que tu fizeste. E é assim que se arrancam algumas ervas daninhas da vida, dizendo uma meia duzia de palavras que parecem acalmar a alma e confortar o coração por serem libertadas do contentor e deixarem crescer no jardim flores mais bonitas num próximo nascer do sol. E amanhã será, assim, um novo dia, com menos ervas daninhas no coração! Boa noite!

quarta-feira, 1 de abril de 2015

a tua história

E hoje, ao fim de tantos tic-tac’s apressados, por entre correrias sem fim, preocupações sem destino nem começo, dores de cabeça provocadas pela falta de respiração que o cérebro agora exibe no meio de tantas bíblias de retratos de questões pertinentes, como se de questões éticas se tratassem – não que se tratem, mas perante tamanhos dilemas quase que me atrevia a dizer que esta, seja ela qual for, talvez seja uma ciência mais complexa que a ética. Sim, esta mesmo que constitui cada neuróniozinho que a minha cabeça abarca, almejando um pouco de paz e tranquilidade a cada expiração e inspirando um pouco de coragem a cada contratempo que se lhe segue.
         Quando pareces minimamente equilibrada na corda do circo - sim aquela que enche tudo e todos ao seu redor de um suspense assustador e que não deixa ninguém indiferente e que tu, que nunca te achaste super-mulher, agora consegues pisar firme e seguramente – parece que, rapidamente, todos os músculos que te permitem aquele movimento tão esbelto e forte te faltam… O suspense cai por terra, os espectadores cortam a sua própria respiração, o mundo pára naquela milésima de segundo e és tu a protagonista naquele instante. Infelizmente o caso não está bem parado para os teus lados agora que protagonizas a história de suspense. É um segundo, o segundo fulcral, o derradeiro, aquele em que toda a história se desenrola e finalmente permite aos espectadores o regresso a uma respiração. Resta saber qual o resultado que advém da transformação de toda aquela rigidez para uma total ausência de controlo no movimento esbelto e digno de aplauso.

             A verdade é que só depende de ti. A força que te alimenta os músculos vem de dentro de ti, de um lugar que só tu conheces como ninguém – porque só tu tens esse direito. O enredo da história só depende de ti e, mais que isso, a luta pelo objetivo de chegar ao outro lado da corda do circo tem que ser bem definida, bem delineada, cada passo em falso pode ser fulcral, pode ser o último, pode ser o derradeiro. Nunca te esqueças miúda, se queres chegar ao outro lado da corda os teus músculos devem ser continuamente firmes, as forças não te podem faltar – e não há motivos para te faltarem, é só continuares a produzi-las bem dentro de um lugar tão lindo como só tu o podes descrever -, o teu rosto deve ser firme e transparente e, acima de tudo, a tua cabeça deve estar erguida com os olhos focados no horizonte – onde se encontra o objetivo – nunca esquecendo o chão que pisas e louvando cada centímetro de corda que te ajudou a triunfar nesse teu percurso tão peculiar e atribulado. Nunca te esqueças, tu és a protagonista.