quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

basta

Tento escutar o silêncio das palavras que ferem, da chegada dos falsos amigos, do desprezo de quem mais gostamos. Tudo nos magoa mas tornamo-nos indiferentes ao mundo à nossa volta. Queremos esquecer, queremos não pensar, queremos ser felizes sem precisar de mais ninguém, tentando a toda a força acreditar que é possível uma vida apenas connosco mesmo. Só assim temos a certeza que não vamos ser desiludidos, ou postos de lado, ou questionados, mal falados, criticados. Confiamos em nós porque, e só porque, sabemos com o que podemos contar mesmo antes de agirmos. Não nos traímos e se só nos temos a nós, escusado será dizer, que não seremos traídos. Magoa é verdade, sentirmo-nos à deriva num mundo tão cheio de gente. Sempre que olhamos à nossa volta vemos sorrisos radiantes que já não nos cativam como dantes, gestos de cortesia que já não nos fascinam, palavras apaixonantes às quais já não nos prendemos, olhares que já não nos prendem e seguram, já não nos dão alento.
O peito sente-se apertadinho e o coração, escorre sangue de dorido que está... já caiu tantas vezes que já não sabe aceitar a ajuda dos outros para se levantar, tem medo que mais uma armadilha se avizinhe, e rejeita tudo à sua volta. Bem ou mal, é mais seguro assim.
Agora... "façam o favor de serem felizes"... acompanhados ou sozinhos, o importante é saber fazer o coração sorrir!

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

fogo que arde sem se ver

escrever porque nos sentimos presos, acorrentados a uma verdade fria que aperta, magoa e chega às vezes a sufocar! é preciso largá-la, deixá-la ir, voar com o vento severo, que não tem medo de punir ou roubar aquilo que de mais precioso temos. decerto não terá angústia em nos levar essa realidade tão escura que nos domina de tão vazia e preenchida que se encontra de uma só vez. ela corrói e mata-nos aos poucos de tanta força que fazemos por guardá-la num local tão especial como é o nosso coração. tentamos que ela não nos escape. calamos a amargura que traz consigo. gritamos o sufoco que nos chega num silêncio tão profundo que ecoa em si mesmo. já nem sabemos o que é chorar por ela. essa verdade nua e crua que se apodera de nós assim. por cima colocamos-lhe falsas alegrias, ou momentâneas como preferirem chamar-lhe, pensando que assim dói menos, ou desaparece, ou talvez esqueçamos que ela existe. mas não é assim tão simples. essa verdade persegue-nos, magoa-nos e tudo o que queremos é gritá-la ao mundo ao mesmo tempo que a calamos. quando olhamos bem em nosso redor apercebemos-nos de que essa longa verdade com a qual batalhamos dia e noite, a qual queremos esquecer ou desprezar, espezinhar, calar, silenciar, rebaixar, apagar do nosso caminho é, no fim de contas,a nossa vida!