terça-feira, 16 de abril de 2013

Uma questão de destinos


http://www.youtube.com/watch?v=TO9Qa7MpAvw

Vai haver um dia em que quando menos esperas e menos queres vais acordar com ele no pensamento, vais perceber que na verdade talvez nunca o tenhas esquecido, que ainda comparas todos os homens a ele, que sempre que te falam em amor é dele que te lembras, quando estás sozinha nas frias e chuvosas tardes de domingo é com ele que te imaginas. Mas na verdade já estiveste com outros homens e pareceu-te tão genuíno que nem tu vais acreditar que ao fim de todo este tempo ainda não tenhas esquecido aquilo que pensavas ser apenas uma lembrança, uma recordação. Vais perceber que talvez o homem com quem sonhas todas as noites não seja aquele que te vai fazer feliz o resto da tua vida, que o dono das gargalhadas que te dão voltas e voltas à barriga não te pode dar aquilo que pensas precisar dele, que aquele movimento de cintura que te foca o olhar como se nada mais existisse não é o compasso certo para o teu corpo, que a melodia da sua voz talvez não seja o ritmo ao qual cantas. Vais fraquejar e sorrir logo a seguir. Um sorriso cínico e reconfortante – para te reconfortares a ti mesma, como que dizendo “não faz mal, vai correr tudo bem” – enquanto que a mágoa se vai tentando apoderar do teu peito (mas já nem isso acontece porque o hábito da distância entre estes dois corpos já é uma constante tão presente na tua vida). Nesse dia vais perceber que ele é sem dúvida o homem da tua vida, mas que não é isso que te vai impedir de seguir em frente, não é o fim. A vida continua. O homem por quem já tanto choraste vai ocupar sempre o lugar dele no teu coração, como se o destino tivesse feito de propósito para o trazer para a tua vida, mostrar-to e logo em seguida to tirar. Talvez tu também sejas a mulher da vida dele, já pensaste nisso? Mas o vosso destino, ainda assim, pode não se voltar a cruzar, o vosso caminho pode não fazer sentido juntos e aí o amor não chega. É uma questão de destinos traçados. Vão conhecer muita outra gente e ainda assim vão pensar um no outro, no que passaram. Se serão apenas recordações ou a história de amor de duas vidas não saberão nunca talvez, mas não vão deixar de viver aqui, só porque o destino não vos quer juntos. Se realmente tiverem que acabar lado a lado, a dormir na mesma cama, acordar todos os dias com o mesmo sorriso lindo na cara, brigar um com o outro como se não houvesse amanhã e no fim terminarem as discussões com um beijo que a cada dia que passa se torna mais apaixonado tenho a certeza que isso acontecerá mas, se realmente o destino assim o não quiser, serão felizes na mesma, amando-se mas não se tendo. Reaprendendo a viver sem a presença constante daquela outra vida na vossa.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

só assim

Tornava-se normal só te apetecer gritar, lançar ao vento a angústia que te ia no peito. Era natural visto que de repente tudo aquilo a que chamavas rotina se havia perdido. Os teus sonhos, a tua estabilidade, o teu apoio, o teu dia a dia.Já nada permanecia igual, nem estático. Tudo havia desaparecido e já nada restava para além da mágoa duma vida desfeita, dum passado presente apenas no coração, agora despedaçado. Parece que eras a menina dos olhos deles e de repente passaram a ver-te como adulta - que não és - capaz de tratar de ti, sozinha. Não é verdade, precisas deles, talvez mais que nunca, e eles parecem não estar lá para te ouvir, para perceber no teu olhar o que a tua mente divaga diariamente. É normal que a vontade do quotidiano tenha desaparecido, pouco te prende, pouco te cativa, pouco te faz bem. Vives com uma máscara constante que apenas tiras nos momentos de segura - mas que tefaz vacilar - solidão. Os jantares, que antes eram de mesa cheia, agora resumem-se a três pratos, e às vezes - grande parte das vezes - , são apenas dois. Antes havia gritos, palhaçadas, risadas e até as discussões eram "dilemas" bons que vias e vivias pela casa fora, agora... agora o teu grande dilema é decidir entre a sala ou o teu quarto para passares a maioria do teu tempo visto que a casa está tantas vezes tão vazia que nem dá gosto. O sufoco que antes tentavas calar com o olhar e que de tão pouco valia, dado o conhecimento que de ti tinham, agora mesmo que o digas por palavras parece indiferente aos ouvidos e corações que sempre foram a tua primeira e última esperança e auxílio. Corrias para lá quando não havia outra opção, era o teu porto seguro e agora nada mais parece do que um estranho. Dois estranhos na verdade. Como disse, é normal que te apeteça gritar - e calar ao mesmo tempo - pois deixaste de ser a menina protegida e passaste a ser só mais uma. Ainda te vês como criança que precisa daquele abraço paternal que parece já não estar lá. Sabes que na realidade é algo que nunca vais perder mas não tens coragem de o procurar, de o agarrar e dizer "estou aqui e preciso de ti". O mundo parece ter-te voltado as costas e sentes que o buraco onde estás a entrar é tão maior que qualquer outra coisa neste momento que só queres recuar, mas parece tarde de mais, precisas daquela mão amiga, naquele pulso firme e forte que te tire desse caminho e ele parece desaparecido. Nada faz sentido agora, é tudo um mar de confusões que em nada te acalmam. Só precisavas de voltar a sentir-te segura de ti e daquilo que te rodeia. Infelizmente não vês luz ao fundo do túnel.
Mas não desistas. Dos fracos não reza a lenda.