domingo, 15 de novembro de 2015
Ervas daninhas
Hoje sinto a tua falta e surge em mim uma súbita vontade de te escrever -ou te falar, não sei bem. Talvez escrever seja mais fácil - não direi mais adulto, embora por momentos me tenha passado isso pela cabeça. Talvez seja mais fácil pelo simples motivo de que sei que jamais irás ver o mar infinito - ou finito nele mesmo, como soar melhor - de palavras que a minha alma deseja despejar numa espécie de caixote do lixo pois já só fazem mal num contentor pequenino que geme de dor por tão apertado que se encontra. Ás vezes é preciso arrancar as ervas daninhas - ou seja, despejar todo o lixo que sufoca - e hoje foi um dia desses. Sinto saudades, sabes? Não da pessoa que te tornaste, porque só um fraco desiste de algo tão forte como tu o fizeste e a verdade é que não quero alguém fraco ao meu lado, sinto antes saudades do homem que eu ajudei a construir - e digo-o com orgulho - e que vi destruir-se e levar consigo, mesmo agarrado a si de um modo estúpido e impensado um monte de sonhos e planos - e digo-o com profunda tristeza. Mas a verdade é que, como ouvi um dia 'é difícil esquecer alguém porque as pessoas mudam, mas as memórias não' e o nosso livro de memórias traz consigo tantas recordações bonitas que por vezes brotam e transformam-se nessas ervas daninhas que incomodam quando se apercebem daquilo que tu fizeste. E é assim que se arrancam algumas ervas daninhas da vida, dizendo uma meia duzia de palavras que parecem acalmar a alma e confortar o coração por serem libertadas do contentor e deixarem crescer no jardim flores mais bonitas num próximo nascer do sol. E amanhã será, assim, um novo dia, com menos ervas daninhas no coração! Boa noite!
Subscrever:
Mensagens (Atom)