segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
fogo que arde sem se ver
escrever porque nos sentimos presos, acorrentados a uma verdade fria que aperta, magoa e chega às vezes a sufocar! é preciso largá-la, deixá-la ir, voar com o vento severo, que não tem medo de punir ou roubar aquilo que de mais precioso temos. decerto não terá angústia em nos levar essa realidade tão escura que nos domina de tão vazia e preenchida que se encontra de uma só vez. ela corrói e mata-nos aos poucos de tanta força que fazemos por guardá-la num local tão especial como é o nosso coração. tentamos que ela não nos escape. calamos a amargura que traz consigo. gritamos o sufoco que nos chega num silêncio tão profundo que ecoa em si mesmo. já nem sabemos o que é chorar por ela. essa verdade nua e crua que se apodera de nós assim. por cima colocamos-lhe falsas alegrias, ou momentâneas como preferirem chamar-lhe, pensando que assim dói menos, ou desaparece, ou talvez esqueçamos que ela existe. mas não é assim tão simples. essa verdade persegue-nos, magoa-nos e tudo o que queremos é gritá-la ao mundo ao mesmo tempo que a calamos. quando olhamos bem em nosso redor apercebemos-nos de que essa longa verdade com a qual batalhamos dia e noite, a qual queremos esquecer ou desprezar, espezinhar, calar, silenciar, rebaixar, apagar do nosso caminho é, no fim de contas,a nossa vida!
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