quarta-feira, 13 de julho de 2016

Recuos

De repente olhas em teu redor e o medo parece ter -se apoderado de cada pedacinho de ti... O medo parece ter conquistado um lugar central no teu corpo - no teu coração. Aliado a todo esse medo vem uma sensação de sentimentos dúbios constantes - ora te adoro ora te odeio, ora te quero ora te repulsão, ora o teu abraço é o meu lugar de eleição ora é o caminho para o abismo. O medo parece ter vindo para ficar. Ha momentos em que se esconde mas rapidamente volta. As certezas são poucas e a verdade é que a instabilidade do terreno que pisas te faz tremer a cada passo que dás. E recuas. Recuas porque um coração frágil como o teu tem medo de voltar a cair naquele abismo horroroso que nunca queria ter experimentado. Recuas porque ... Não te abrem o caminho e não te dão a mão. Recuas porque as noites em branco com um no na garganta te fazem recuar. Recuas porque tens medo e te sentes sozinha numa luta que não está a ser travada por toda a equipa.

terça-feira, 17 de maio de 2016

Ás vezes

Ás vezes é preciso tempo. É preciso tempo não só para acontecer como também para deixar de acontecer. Ás vezes é preciso dar tempo mas - em circunstâncias de força maior - é preciso receber tempo. Ás vezes é preciso espaço - espaço para crescer e espaço para desaparecer. Outras vezes é preciso fugir desse tempo e desse espaço e simplesmente largar o que nos acorrenta à terra e voar. Sentirmo-nos livres, donos de nós mesmo sem que qualquer brisa nos mude o rumo. É isso... por vezes é preciso deixar de ir ao sabor da maré e ancorarmo-nos ao nosso próprio ego e irmos ao nosso próprio sabor. Ás vezes é preciso saborear o vento mas é ainda mais preciso cuidado para não nos apaixonarmos por ele e entrarmos numa simbiose que acabe por se tornar unilateral e o vento passe a comandar o nosso destino. Ás vezes é preciso acreditar no destino mas outras é preciso fugir dele. Ás vezes faz sentido ser inocente, outras requerem o pulso firme de um adulto vivido - e como tal já sofrido. Ás vezes é preciso acreditar em oportunidades, outras vezes é difícil compreender quando é que estas já foram dadas vezes suficientes. Ás vezes é preciso esperar, outras simplesmente partir.