quinta-feira, 25 de agosto de 2011

escolhas

Hoje é dia para mim e para ti , já é tarde demais. Talvez um dia esses papéis se invertam... Talvez um dia percebas que quando pensaste ser tarde ainda ias a tempo de compor a tua vida, esse dia vai ser quando me vires e desejares e eu já não te pertencer como tantas vezes julgaste como certo. Um dia, talvez vás olhar para trás e perceber o que perdeste, talvez te vás arrepender, talvez vás entender que o caminho que escolheste como teu não era o que te devia ter pertencido naquela altura, talvez devesses ter apostado no outro troço que tinhas à tua frente. A decisão esteve sempre nas tuas mãos, e tu quiseste assim.
No dia em que me vires com outro alguém, talvez ainda chore por ti, quando escondida no quarto onde ninguém mais possa ver. Nesse dia talvez penses que estou feliz agora, sem ti... Mas na verdade passasse algo mais complexo do que o castelo encantado que vais julgar ver com os teus próprios olhos. Talvez ainda seja contigo que sonho, talvez seja em ti que penso antes de dormir, mas nesse dia vai ser tarde... Talvez nesse dia eu possa dizer que houve alguém que me apoiou quando tu me abandonaste, alguém que me estendeu a mão quando tu me rejeitaste, alguém que me sorriu quando tu me olhaste com o olhar frio e vazio. Talvez possa estar grata por alguém me ter feito sair da solidão em que me colocaste.... Talvez um dia, seja feliz, embora te deseje. Nesse dia pode já ser tarde...
A escolha foi, é e será sempre tua ...
Com amor, Inês

domingo, 21 de agosto de 2011

o castelo

Aos poucos e poucos apanhamos as pedras cruéis que nos fizeram parar por instantes de percorrer o nosso caminho como desejávamos. Parecem magoar-nos quando ainda são poucas, mas de repente olhamos e já temos tantas pedras guardadas que já é possível começar a construir uma muralha, ou talvez um castelo, o castelo dos nossos sonhos de criança, capaz de nos proteger de todas as adversidades que estarão para vir. Ganhamos assim nova força, nova coragem para lutar. Vamos assim construindo esse abrigo e sem que demos conta sentimo-nos reconfortados, protegidos, capazes de lutar contra tudo e todos.
Porém, quando menos damos conta, esse pequeno castelo que há pouco começámos a construir caiu-nos aos pés. Sentimos todo o mundo a desmoronar-se ali, mesmo em frente aos nossos olhos, tentamos pegar os escombros da nossa vida e reconstruí-los, mas não somos capazes. Há uma guerra na qual ainda não conseguimos ganhar nenhuma batalha: a guerra contra nós mesmos, os nossos sentimentos.. o mais intimo de cada um de nós. Enquanto não formos capazes de vencer estas batalhas o nosso destino é simples e previsivel: qualquer coisa enviada de fora vai-se tornar mais uma fraqueza nossa.
O nosso castelo precisa de amor próprio no seu cimento, de confiança na raiz das suas plantas, de autoestima em cada uma das suas pedra. É preciso que este castelo sinta que está a ser construído por si e não para que os outros o possam observar um dia mais tarde e elogiar ou desfrutar dele. A este castelo eu chamei um dia vida!

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

não preciso, mas não sei viver sem isso ...

Hoje percebi o quão forte é o verbo "precisar" e todo o campo lexical à sua volta. Precisar? Precisar?!? Mas afinal de que precisamos nós?
Quando digo que preciso de ti, do teu sorriso, do teu beijo, ou do teu olhar...não é verdade. Lamento. Não preciso. Quando digo que preciso de voltar a sentir-te junto a mim, sentir o teu toque, a tua presença... Quando digo até que preciso voltar atrás no tempo e mudar qualquer coisinha que não correu bem como eu queria, é pena, mas não é verdade.
Quando dizemos precisar de paz, de amor, de tudo aquilo que é politicamente correcto, não é verdade. Sabem o que é precisar? Precisar não é nada. Precisar é como "ter que" e ninguém "tem que..." nada! Podemos, ou devemos talvez... Muitas vezes deviamos. Quantas vezes nos disseram na nossa petizada "tens que te portar bem!"? Tenho que... ?! Não tenho que nada... "Tens que comer sopa...tens que respeitar as leis da sociedade...tens que ajudar os outros...tens que ser tu mesmo..." (...) "Temos que..." tanta coisa nas nossas vidas que acabamos por "não ter que" nada... Curioso não é? Também achei, quando perdida algures nos meus pensamentos me deparei com esta situação. A nossa vida é feita de escolhas, de decisões, de coisas que diziamos precisar mas que, sem que dessemos por isso, nos fugiram por entre os dedos. É feita de derrotas, e lágrimas, de alegrias e sorrisos. A vida, bem... a vida não é uma questão de deveres ou obrigações, de "precisar" ou "ter que", a vida é uma questão de vontades.
Portanto quando digo "Preciso de ti" ... Não ... não preciso ... mas diz-me, como será a minha vida sem ti? 

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

o que se passa então?

Já acreditei que tudo poderia ser diferente;já tive esperança que tudo seria melhor;já ansiei por um futuro em que o sol brilharia; já sonhei contigo;já chamei o teu nome vezes e vezes sem conta;já o escrevi pelos cantos da casa;já o senti ao entrar no quarto;já o notei ao sair para a rua;já o notei em momento "algum" que se tornou tão frequente;já te quis esquecer;já te quis lembrar;já te quis longe;já te desejei perto;já te tentei dizer adeus;já te pedi para ficares comigo para sempre;já tentei que tudo não passasse de um pesadelo;já desejei que tudo fosse para além dos meus sonhos;já tentei partir; já tentei apagar-te do coração;já tentei ser feliz.
Ainda não consegui fechar-te a porta; não consegui ser feliz, sem ti ...

terça-feira, 2 de agosto de 2011

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

obrigada

Sozinho foste capaz de mover montanhas, de despertar sorrisos que pareciam eternos, de fazer nascer uma paixão que de tão ardente acabou por queimar. Fizeste crescer ambições, construir sonhos em cima de espectativas que fizeste aumentar de dia para dia. Com o teu sorriso apenas, foste capaz de me fazer feliz em todos aqueles momentos, as tuas gargalhadas foram música para os meus ouvidos, capazes de me embalarem mas incapazes de me deixarem dormir de tão ansiosa que ficava por te voltar a tocar.
Foi bom!
Agora sozinho também conseguiste destruir tudo o que tinha construido, vivido, sonhado, ambicionado. Conseguiste fazer brutar dum coração iludido a lágrima mais custosa de sempre. Conseguiste terminar o ainda não começado, acabar o que julgava inacabavel, abalar o que parecia inabalável. Magoaste. Agora choro sim a tua ausência, a tua partida de um local onde nunca tinhas pertencido.
Hoje dói ... Já não faz sentido.