domingo, 10 de julho de 2011

a promessa

Naquele dia nada mais havia do que um vazio extremo, gigante, inigualável. Era uma falta, um desejo, uma ansia que eu nem hoje encontro palavras para explicar. Aquele vazio enfureceu-me. Fez-me ganhar novas forças, perder velhos sonhos, criar ambições nunca antes vistas. Chorei, por culpa daquele estupido vazio, como há muito não chorava. Como uma criança destroçada. Gritei o mais alto que consigo imaginar neste momento. E o vazio tomava conta do meu peito. Cada vez mais e mais e mais... Doia! Doia tanto que não soube para onde me virar. Chamei por ti na esperança de que me trouxesses o renascer do sol, ou o adormecer da lua e com ele a partida da noite escura. Queria ser feliz ao teu lado. Mas por entre as arvores, tão grandes perante a minha minuscularidade, perdi-te. Assim, a um palmo de mim, já não te tinha. Estavas ali, tão perto e tão inalcansável. Culpei-me, marterizei-me, lamentei-me. Pensei em desistir. Mas não. O que sentia por ti era mais forte e dava-me força. Força de te ver, de te querer, de te beijar, tocar ou sentir. Foi então que a promessa surgiu:vou lutar por ti, até que tu me cortes as asas e me faças deixar de voar.

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