
Hoje assim que cheguei olhei o mar, mas olhei-o com olhos de gente. Senti-o dentro de mim. Não percebi ao certo o porquê. Estava longe, pois da varanda de casa conseguia ver pouco mais que o ponto em que ele toca o céu e se fundem os dois numa linha a que vulgarmente chamamos horizonte. Mas gostei, confesso que gostei do que vi. Depois tive medo. Senti que naquele ponto acabava tanta coisa. Como se aquilo fosse o fim de algo, o fim desta realidade física que existe para cá da linha. Senti que era o fim dos MEUS sonhos. E o mar, de novo, com toda a sua imensidão envolveu-me de tal maneira nele que quase sufoquei, perdida em pensamentos e recoradações, lágrimas e sorrisos, saudades e angústias, tudo cabia naquele infimo mar. Mas como disse há pouco, gostei sinceramente do que vi. Como que um vídeo daqueles bem antigos que relatam a história de uma vida. Exactamente! Foi a minha vida que eu revivi ao olhar para ele. Daí o meu gosto pela praia, o mar e tudo aquilo que o rodeia.
Tinha a vida ali, tão junto a mim, e ao mesmo tempo tão inalcansável. Fazia-me falta a paixão que queria viver neste momento mas que de tão impossível me fazia sair daquela ilusão em que estava quando contemplava o horizonte.
Procurei aquele amor não correspondido e nem sinal dele. Estava cada vez mais longe e eu aqui ... simplesmente a esperar. Eterna sonhadora, sem compaixão de si mesma. Sonhando com o dia em que o principe encantado, aquele que lhe assaltava os sonhos todas as noites, aquele a quem tinha roubado um beijo que lhe ocupava agora o pensamento a toda a hora, aquele que representava para ela a imperfeição mais perfeita que ela agora conseguia conhecer e ansiava compreender, aquele que em tempos lhe dedicava poemas que a faziam corar e sorrir com aquele olhar maroto e apaixonado, iria chegar e declarar-lhe amor eterno, sentido, profundo e juntos irião viver um dos maiores romances que a história da humanidade alguma vez havia narrado.
Tentando apagar o desprezo, a distância que já separa mais que olhares, separa agora corações, a dúvida, o medo, a insegurança. Tentanto ignorar toda essa inconstância que "não mata mas mói"...
E é assim que vou vivendo os últimos tempos, a sonhar com um mundo perfeito. O meu mundo perfeito. Que não existe, não tem fundamento, mas um mundo que a minha imaginação se encarregou de criar sem a minha autorização ou consentimento. Complicado é aperceber-me de vez em quando que esse mundo é realmente somente imaginação, puro demais para ser verdade. A realidade está para nós bem mais despida, fria e dura.
Mas vou tentando ser feliz assim, a sonhar... contigo (:
Enquanto não posso ter, sonho; enquanto não posso tocar, sonho; enquanto não posso alcançar, sonho; quando não puder sonhar, morro.
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