terça-feira, 31 de julho de 2012

a noite

As janelas batiam, os cortinados dançavam triste e melancolicamente ao sabor do vento , quase empetrecidos pelo frio que se fazia sentir lá fora, ironicamente numa noite de verão! A vontade era de partir, deixar tudo para trás e chorar até não ter mais voz, nem lágrimas, nem qualquer outra coisa que tristemente agora a tornavam nela. Mas a casa estava escura, e as pedras de mármore do chão estavam frias, cenário que só agravava e aumentava a sua profunda melancolia. Em silêncio limpava os olhos aos lençois, e já com a fronha da almofada encharcada, ia engolindo uma ou outra lágrima que escapavam e fugiam pelo seu rosto! Não sabia que rumo dar áquilo que não entendia mais. Apenas incógnitas pairavam na sua cabeça naquele instante em que nada existia em seu redor. Sentia-se tão aparatosamente rodeada de uma solidão recheada de gente. E, finalmente, decidiu, como sempre faz, dar tempo ao tempo - e adormeceu, chorando.

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