Hoje nada faz sentido aqui... Hoje não sei mais quem sou nem por onde vou, ou onde pertenço ou sequer a quem pertenço. Hoje sou um livro, cujo título é ilegível pelo pó que ali se acumulou, cuja capa já meio estragada mete pena, e entre as páginas amareladas - ainda com aquele cheiro a biblioteca gigante e bastante antiga - encontram-se umas ou outras (bastantes até) rasgadas. Cada página em falta é uma recordação que não recordo mais, uma dor que já não dói, uma certeza que permanecerá incerta para sempre! Mas aqui estou eu, agarrada á secretária com a angústia de não continuar esse livro inacabado pelo medo que tenho de rasgar aquelas folhas com o simples toque da caneta, de tão sensíveis que elas estão!
Oh, as voltas que dou a todas as perguntas que pairam por aqui, a todas as letras soltas que não entendo, a todas as palavras proferidas de uma forma tão intencionalmente incompreensiveis.
Resta-me esperar por ti - salvação!
Pura ironia, pura magia, pura incógnita repleta de contradições - adolescência!
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