E hoje, ao fim de tantos tic-tac’s
apressados, por entre correrias sem fim, preocupações sem destino nem começo,
dores de cabeça provocadas pela falta de respiração que o cérebro agora exibe
no meio de tantas bíblias de retratos de questões pertinentes, como se de questões
éticas se tratassem – não que se tratem, mas perante tamanhos dilemas quase que
me atrevia a dizer que esta, seja ela qual for, talvez seja uma ciência mais
complexa que a ética. Sim, esta mesmo que constitui cada neuróniozinho que a
minha cabeça abarca, almejando um pouco de paz e tranquilidade a cada expiração
e inspirando um pouco de coragem a cada contratempo que se lhe segue.
Quando
pareces minimamente equilibrada na corda do circo - sim aquela que enche tudo e
todos ao seu redor de um suspense assustador e que não deixa ninguém
indiferente e que tu, que nunca te achaste super-mulher, agora consegues pisar
firme e seguramente – parece que, rapidamente, todos os músculos que te
permitem aquele movimento tão esbelto e forte te faltam… O suspense cai por
terra, os espectadores cortam a sua própria respiração, o mundo pára naquela
milésima de segundo e és tu a protagonista naquele instante. Infelizmente o
caso não está bem parado para os teus lados agora que protagonizas a história
de suspense. É um segundo, o segundo fulcral, o derradeiro, aquele em que toda
a história se desenrola e finalmente permite aos espectadores o regresso a uma
respiração. Resta saber qual o resultado que advém da transformação de toda aquela
rigidez para uma total ausência de controlo no movimento esbelto e digno de
aplauso.
A
verdade é que só depende de ti. A força que te alimenta os músculos vem de
dentro de ti, de um lugar que só tu conheces como ninguém – porque só tu tens
esse direito. O enredo da história só depende de ti e, mais que isso, a luta
pelo objetivo de chegar ao outro lado da corda do circo tem que ser bem
definida, bem delineada, cada passo em falso pode ser fulcral, pode ser o
último, pode ser o derradeiro. Nunca te esqueças miúda, se queres chegar ao
outro lado da corda os teus músculos devem ser continuamente firmes, as forças
não te podem faltar – e não há motivos para te faltarem, é só continuares a
produzi-las bem dentro de um lugar tão lindo como só tu o podes descrever -, o
teu rosto deve ser firme e transparente e, acima de tudo, a tua cabeça deve
estar erguida com os olhos focados no horizonte – onde se encontra o objetivo –
nunca esquecendo o chão que pisas e louvando cada centímetro de corda que te
ajudou a triunfar nesse teu percurso tão peculiar e atribulado. Nunca te
esqueças, tu és a protagonista.
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