sábado, 8 de setembro de 2012

e então?

Fiz o caminho rotineiro de todos os dias, as pedras desalinhadas como sempre, o canto dos passarinhos que parecia vindo de um gravador accionado por um velhote qualquer sempre à mesma hora, as folhas das arvores entreleçavam-se exactamente com o mesmo promenor de todas as outras manhãs, o cheiro que pairava no ar era o mesmo vindo de toda aquela verdura dali tão caracteristica, eu sempre atencioso ao prazer do que me rodeava. Tudo permanecia igual, portanto... à excepção daquela menina. O seu sorriso havia sido consumido, talvez por um qualquer pensamento inequivoco ou por uma palavra que tenha caído de forma um pouco mais indegesta do que o normal das palavras que constam no dicionário. Algo a preocupava. Não sei se com o sem razão mas a verdade é que o seu sorriso agora apagado deixou-me - e digo-o até com alguma vergonha e espanto - com uma tal de saudade. Fazia falta como se de um promenor fundamental cheio de cor se tratasse pintado num quadro em tons de preto e branco - não quero com isto, de todo, dizer que o dia corria mal, mas a verdade é que percebi nesse dia que aquele sorriso ainda o tornava melhor. Estava apagada, algo no seu rosto suava a preocupação, sentia-lhe ansiedade até, mas ela nem notou a minha presença. Observei-a durante instantes seguidos, hoje não sei se foram segundos minutos ou horas, mas a sensação com que fiquei foi quase como se a conhecesse há anos e como se aquele meu olhar e tudo o que dela captei fosse algo eterno. Tive pena, ela expirava angústia... Tentei aproximar-me. Faltou-me a coragem. Hoje arrependo-me de não ter podido ajudar.

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