domingo, 21 de agosto de 2011

o castelo

Aos poucos e poucos apanhamos as pedras cruéis que nos fizeram parar por instantes de percorrer o nosso caminho como desejávamos. Parecem magoar-nos quando ainda são poucas, mas de repente olhamos e já temos tantas pedras guardadas que já é possível começar a construir uma muralha, ou talvez um castelo, o castelo dos nossos sonhos de criança, capaz de nos proteger de todas as adversidades que estarão para vir. Ganhamos assim nova força, nova coragem para lutar. Vamos assim construindo esse abrigo e sem que demos conta sentimo-nos reconfortados, protegidos, capazes de lutar contra tudo e todos.
Porém, quando menos damos conta, esse pequeno castelo que há pouco começámos a construir caiu-nos aos pés. Sentimos todo o mundo a desmoronar-se ali, mesmo em frente aos nossos olhos, tentamos pegar os escombros da nossa vida e reconstruí-los, mas não somos capazes. Há uma guerra na qual ainda não conseguimos ganhar nenhuma batalha: a guerra contra nós mesmos, os nossos sentimentos.. o mais intimo de cada um de nós. Enquanto não formos capazes de vencer estas batalhas o nosso destino é simples e previsivel: qualquer coisa enviada de fora vai-se tornar mais uma fraqueza nossa.
O nosso castelo precisa de amor próprio no seu cimento, de confiança na raiz das suas plantas, de autoestima em cada uma das suas pedra. É preciso que este castelo sinta que está a ser construído por si e não para que os outros o possam observar um dia mais tarde e elogiar ou desfrutar dele. A este castelo eu chamei um dia vida!

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