terça-feira, 26 de outubro de 2010

ser humano

era um mundo em que tudo voltara a fazer sentido: a terra voltara a girar na sua própria órbita; os pássaros cantavam com o nascer do sol; os bebés comiam, dormiam, e choravam, limitavam-se a essa sua vida monótona, guardando forças para que um dia quando crescessem pudessem sorrir e dizerem-se felizes; os desenhos das crianças retratavam apenas aquela realidadezinha tão tipica (as nuvens e o sol sobre o céu azul, uma imensidão de relva regada com flores, árvores e uma ou outra casinha com uma chaminé fumegante no telhado, duas janelas, uma portinha pequena); a familia não era mais nem menos que a mamã, o papá, o menino e a menina, todos com um sorriso estampado nos lábios; não falando dos namorados de mão dada, numa troca constante de caricias, sentados num banco de jardim, beijados pelo calor da Primavera que se fazia sentir ao longo de todo ano, perante tal cenário. Sim, era aquilo que eu sempre achara a realidade. Irónico como só ao fim de 16 anos de vida, se acorda para a realidade.
É, acordei, infelizmente e com necessidades de afecto... Ridiculo talvez, mas afinal não é todo o ser humano ridiculo?! Como diria o outro "ainda mal"! Mas é!
Há que entender que não há um mundo perfeito, como o desse ideal de vida que nos incumbem à medida que crescemos! Eu aprendi isso... Ou tenho aprendido.
Basicamente: não te deixes enganar por esse mundo hipócrita que há à tua volta. Sim, tenho dito! Dito e feito.
Pois, agora se me conheces estás a pensar para ti "tanta teórica e tão pouca prática"... É, talvez até tenha que te dar razão desta vez. Sim, eu ponho o orgulho de lado e rebaixo-me mais uma vez. É verdade, toda esta ingenuidade faz-me cair tão constantemente nos mesmos erros, e mais, de cada vez que digo que foi a última... ups, e a frase é para repetir. Repito-a vezes sem conta, e nunca mais tem fim.
Mais uma vez me revejo no espelho do ser humano ridiculo. Quer tanto ser feliz e só luta pela infelicidade. É frustrante, angustiante, chega ao ponto de irracionalidade extrema.
"Estou bem aonde não estou, quero ir aonde não vou" , lá dizia a velha canção, e não é verdade? Só queremos aquilo que não podemos ter, só gostamos daquilo que nos faz sofrer.
Sim, sim, sim, nunca gostei de coisas fáceis, é certo e sabido, mas também qual é a lógica de gostar de algo que nunca me vai, aparentemente, fazer feliz?
Ultimamente é "cada tiro cada melro", não acerto uma ! Mas, pois claro, "tudo se há-de compor". Frase mais vulgar é impossivel... estou cansada de a ouvir e dizer, mas deve ser uma espécie de anestesia para a alma. Dói? Então diz-se ou pensa-se que tudo se há-de compor e a dor é minimizada ,mas os efeitos, oh esses ficam lá. Mais uma vez se vê a ridicularidade do ser humano... Em vez de lutar pela felicidade luta pela infelicidade, como já disse, e ainda mais estupendo é que enquanto luta pela infelicidade espera que a felicidade lhe caia em cima...
Suficientemente baralhados? Perfeito, é que eu também estou.
Mais que baralhada estou quase com uma overdose de anestesias para a alma, portanto vou parar por aqui. E vocês não anestesiem a vossa alma nem lutem pela vossa infelicidade! Lutem por aquilo que merece isso de vocês e não esperem que a felicidade esteja na primeira esquina por onde passarem ...

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