domingo, 1 de agosto de 2010

4 pegadas

Hoje sei que deixei as minhas pegadas na areia por onde passei, simples, inocentes...mais que isso, únicas.
Aquelas pegadas são diferentes de todos os milhares de pegadas que por lá passaram. Algumas passaram-lhes por cima, outras gritavam por baixo delas, mas nem assim as minhas pegadas deixaram de um dia lá terem sido gravadas. Podiam remover toda a areia das praias, podiam vir as ondas mais fortes e apagar as minhas pegadas dali, podiam passar uns pés maiores que os meus que as abafariam, mas tenho uma certeza: um dia, no dia em que eu por lá passei, as minhas pegadas marcaram aquela praia. Mudaram-na. Também sei que nem as minhas próprias pegadas são iguais entre si de cada vez que piso a areia. Ou porque fiz um pouco mais de força nos dedos do pé, ou porque vinquei o calcanhar, ou pelo simples facto de umas vezes correr pela praia e outras andar calmamente... Por mais que tentasse nunca conseguiria desenhar uma pegada EXACTAMENTE igual à anterior.
Na vida também deixo muitas pegadas por aí. Com certeza que muitas são passadas por cima e esquecidas, outras são levadas pelo mar e é chorada a sua ausência, outras simplesmente são vividas e guardadas no coração. Essas pegadas que alguns guardam no coração são talvez as mais bonitas e torná-las cada vez mais especiais é simples: agarras-me a mão com a amizade que me dás e eu não caio, simplesmente sigo o meu caminho contigo a meu lado, em frente e aí deixo de desenhar duas pegadas a cada instante e passo a desenhar quatro pegadas...
São essas quatro pegadas que é bonito ver. E por mais ondas, pés gigantescos e fúteis, ventanias infernais, as nossas pegadas jamais serão apagadas do areal por onde passámos.
A essas quatro pegadas eu chamei um dia amizade ...


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